-
A
seta
-
B
seta
-
C
seta
-
D
seta
-
E
seta
-
F
seta
-
G
seta
-
H
seta
-
I
seta
-
J
seta
-
K
seta
-
L
seta
-
M
seta
-
N
seta
-
O
seta
-
P
seta
-
Q
seta
-
R
seta
-
S
seta
-
T
seta
-
V
seta
-
W
seta
-
Y
seta
-
Z
seta
Zaatari, Akram
Letter to a Refusing Pilot, 2013- Carta para um piloto que se recusou, 2013
- Vídeo de alta definição (cor, som, 34’), filme 16 mm em loop (cor, sem som, 80’’), cadeira de sala de cinema, desenho de luz sincronizado. Ed. 3/7 + 3 P.A.
- Dimensões variáveis
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- "Letter to a Refusing Pilot" (2013) tem a sua origem numa história que o artista ouviu pela primeira vez quando tinha 16 anos. Durante a invasão do Sul do Líbano por Israel, em 1982, circulou na cidade natal de Zaatari, Sídon, o seguinte rumor: um piloto de combate israelita deveria bombardear um alvo nos arredores da cidade; sabendo porém que se tratava de uma escola, o piloto recusou-se a destruir o edifício. Em vez disso, ainda segundo a história, o piloto desviou-se da sua rota e largou as bombas no mar. Esta narrativa da suposta recusa do piloto foi sendo contada ao longo dos anos com diferentes explicações, durante os vinte anos em que o pai do artista foi diretor dessa escola. Como Zaatari veio a descobrir décadas mais tarde, a história não era de facto um boato: o piloto existia. Em "Letter to a Refusing Pilot", apresentado pela primeira vez no Pavilhão Libanês na 55ª Bienal de Veneza, em 2013, Zaatari explora esta história complexa, interligando a memória pessoal com a história política recente através de uma instalação que coloca em diálogo um vídeo de 45 minutos e um filme de 16 mm em loop, num ambiente que envolve o espectador. Grande parte do trabalho foi filmado na área que circunda a escola e incorpora uma diversidade de imagens, fotografias e desenhos, assim como documentos pessoais, para contar a história do piloto Hagai Tamir da perspetiva de um rapaz adolescente. O título da obra cita "Lettres à un ami allemand" [Cartas a um amigo alemão], o ensaio epistolar em quatro partes de Albert Camus, revisitando o seu apelo: "Gostaria de poder amar o meu país amando ainda assim a justiça".
Zorio, Gilberto
Gilberto Zorio (Andorno Micca, Itália, 1944)Colonna, 1967- Coluna, 1967
- Fibrocimento, borracha
- 285 x 30 x 30 cm
- Col. artista, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1999
- "Colonna" [Coluna] inspira-se nos métodos de construção e nos materiais que, enquanto criança, Gilberto Zorio descobria nos locais onde a empresa construtora do pai operava. A coluna vertical de cimento que constitui o trabalho assenta sobre câmaras de ar de borracha preta, desestabilizando as ideias de segurança e solidez habitualmente associadas à arquitetura. Através de uma citação crítica e irónica da arquitetura clássica, que não dispensa colunas, a escultura de Zorio parece comemorar a precariedade. A obra explora de forma direta as tensões e as circulações de energia e forças presentes no mundo físico, nomeadamente a gravidade; mas também pode ser vista, pela criteriosa seleção de matérias e o cuidado na composição, enquanto expressão das pequenas alterações que transformam objetos quotidianos em arte. Gilberto Zorio é um artista associado à arte povera, movimento italiano que a partir de meados dos anos 1960 favoreceu o processo de elaboração das obras em detrimento do resultado final e promoveu o uso de materiais humildes, instáveis e perecíveis. Álcool, gases como o hélio e o hidrogénio, terracota e peças de borrachas são alguns dos materiais a que Zorio recorre para colocar a ênfase em processos como a evaporação, a cristalização, a oxidação e a elasticidade. Ao mesmo tempo, estes materiais convocam todos os sentidos para a perceção das suas obras. A sua abordagem das transformações naturais mostra um interesse implícito pela passagem de um estado físico a outro no decurso de um tempo determinado.
Gilberto Zorio (Andorno Micca, Itália, 1944)Piombi, 1968- Chumbos, 1968
- Placa de chumbo, sulfato de cobre, ácido cloridrico, corda
- 95 x 250 x 160 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- Parcialmente assentes sobre o solo e parcialmente apoiadas contra a parede, duas placas de chumbo foram convertidas em recipientes. As placas permanecem em contacto na parte superior, estando dobradas uma sobre a outra. A parte inferior de cada placa serve de recipiente e nela foram vertidas soluções químicas: sulfato de cobre (solução azul) numa, ácido clorídrico na outra. Em cada uma das soluções mergulha uma das extremidades de um arame de cobre dobrado em arco. A montagem funciona como uma pilha galvânica e as reações químicas vão gradualmente transfigurando a escultura: o sulfato de cobre forma numa das extremidades cristais de cor azul, enquanto, na outra extremidade, o ácido clorídrico gera cristais verdes. O chumbo reage também, formando cristais brancos. Em "Piombi" [Chumbos], Zorio revela o seu profundo interesse pela transformação e pelo potencial de energia dos elementos. Ao criar esta obra, não o moveu qualquer intuito científico mas antes o interesse em realçar a dimensão poética dos processos físicos e materiais, designadamente as alterações cromáticas de que resultam, nas suas palavras, "cores de sonhos", mas também o invencível poder, ou mesmo a ameaçadora violência, dos fenómenos naturais. A predileção de Zorio pelo chumbo não é acidental. Esse era também o material de eleição dos alquimistas. A dimensão ancestral do chumbo, um dos primeiros metais a serem trabalhados pelo homem, assume para Zorio grande relevância.
Gilberto Zorio (Andorno Micca, Itália, 1944)La canoa di Porto, 1990- A canoa do Porto, 1990
- Madeira revestida a resina de poliéster, tubos de ferro, tubos de cobre, cone em PVC, pigmento fluorescente, compressor, temporizador, som
- 271 x 1090 x 210 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1991
- Gilberto Zorio criou "La canoa di Porto" [A canoa do Porto] para a sua exposição na Casa de Serralves em 1990. Apesar da sua grande dimensão e caráter fruste, a escultura, construída por um processo de assemblagem, tem uma aparência surpreendentemente leve. Constituída em grande parte por materiais reutilizados (canoa, tubos, cone em PVC), que foram mantidos no seu estado original e não submetidos a qualquer processamento que os disfarçasse, polisse ou fundisse (à exceção da canoa, que foi revestida a resina de poliéster), o conjunto parece um móbil gigante projetado no espaço. Os sons de um assobio e um borbulhar de água parecem conferir-lhe uma natureza animada. Este caráter performativo é comum nas esculturas de Zorio, particularmente as que cria a partir de 1990: movem-se, vibram, oscilam, emitem sons. A canoa é um elemento recorrente na obra de Gilberto Zorio, pelo seu caráter elementar e ancestral, a perfeição da sua forma, trabalhada ao longo dos séculos, e a sua forte carga simbólica enquanto meio de projeção no espaço e no tempo. "La canoa di Porto" não rompe e trespassa a água, cortando as ondas: transpondo os elementos da natureza, da navegação na água ascendeu à navegação no ar.Nome incontornável da arte povera, Gilberto Zorio partilha com outros artistas do movimento a exploração da energia e da transformação da matéria. O seu uso quase alquímico dos materiais e os engenhosos efeitos sonoros e visuais que consegue são traços distintivos da sua obra.
|