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Varejão, Adriana
Adriana Varejão (Rio de Janeiro, Brasil, 1964)O obsessivo, 2004- Óleo sobre tela
- 280 x 225 cm
- Col. P. O. P., em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2012
- Adriana Varejão trabalha com uma grande variedade de meios, que vão da pintura à instalação, passando pela escultura e fotografia. A sua linguagem visual e conceptual é inspirada pela história da arte e da arquitetura, relacionando-a com o passado colonial do seu país. Varejão destacou-se na década de 1990 com as suas pinturas de grandes dimensões combinadas com azulejos portugueses. Os títulos dramáticos das suas obras contrastam com a natureza aparentemente minimalista das suas pinturas.
Vieira, Pires
(Des)Construções, 1973 - 1974- Esmalte sobre algodão cru, corda de sisal, tela de algodão (4 elementos)
- Dimensões variáveis
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- As formas geométricas simples de "(Des)Construções" evidenciam o interesse do artista pelo estudo das estruturas essenciais da pintura, procurando a desconstrução dos elementos que a constituem: a cor, as formas, a perspetiva, a relação figura-fundo, a serialidade e a repetição. As telas de algodão, sobre as quais se repete um pequeno quadrado pintado a esmalte e atravessado por corda de sisal, são apresentadas sem moldura, apenas penduradas ou colocadas no chão. Pires Vieira destaca a pintura da parede e atribui-lhe uma dimensão tridimensional, uma condição que questiona os limites entre a pintura e a escultura. Depois de estudar arquitetura e urbanismo em Paris e Vincennes, o trabalho de Pires Vieira inicia-se sob influência do minimalismo norte-americano e do movimento francês Support-Surface, investigando o artista a pintura como coisa objetiva e material. A partir dos anos 1990, a investigação de problemas ligados à subjetividade, ao vivido e à memória adquire um protagonismo no qual continuam todavia presentes uma abordagem analítica e rigorosa assente na inventariação de formas, na simplificação da figura e na fragmentação sistemática do corpo.
Vieira, Ana
Ana Vieira (Coimbra, Portugal, 1940 - Lisboa, Portugal, 2016)Ambiente, 1972- Estrutura metálica tubular, rede de nylon com pintura aerografada, alcatifa, mobiliário, candeeiro, objetos pessoais, algodão, terra, frutos, flores, planta artificial
- 250 x 900 x 340 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2002
- Ana Vieira pertence à primeira geração de artistas portugueses que, nos anos 1960, questionou o lugar central dos meios tradicionais - pintura e escultura - na produção artística. Muito cedo na sua carreira a artista optou por centrar o seu trabalho no espaço doméstico e na permeabilidade entre interior e exterior que o caracteriza. Os seus objetos e instalações questionam conceitos e estereótipos em torno do papel da casa. Contrariando a atitude tradicionalmente passiva do espectador, incentivam-no, para serem devidamente experienciados, a deslocar-se pelo espaço do museu ou da galeria.A presente obra pertence a uma série de três ambientes que a artista apresentou entre 1971 e 1973. O primeiro - intitulado "Sala de Jantar (Ambiente)" - foi apresentado na Galeria Quadrante, em Lisboa; o segundo "(Ambiente)" foi exibido em 1972 na Sociedade Nacional de Belas-Artes, na mesma cidade; e o terceiro - aquele que agora nos ocupa - foi apresentado pela primeira vez em 1972, na Galeria Ogiva, em Óbidos, e no ano seguinte, modificado, no Ar.Co, em Lisboa. Grandes dimensões, a incorporação de materiais translúcidos (cortinas e redes) e a interdição do acesso físico àquilo que estas protegem - signos de domesticidade, nomeadamente mobiliário, e exemplares da pesada tradição das belas-artes como uma Vénus de Milo e naturezas-mortas - são algumas das características partilhadas por esta série de trabalhos. Segundo Ana Vieira, a grande escala era essencial para que o corpo do espectador fosse também fisicamente envolvido, para este ver com o corpo todo.Cortinas sobre as quais estão pintadas divisórias, uma porta e uma janela delimitam um espaço interior, que algumas peças de mobiliário (uma escrivaninha, uma chaise-longue, uma coluna para plantas, um cabide e um candeeiro) e objetos decorativos e pessoais configuram como um espaço de habitação. As nuvens de algodão penduradas do teto, as maçãs dispersas pelo chão, as flores e a terra que a artista espalhou por este espaço instauram a transfusão entre interior e exterior que o carácter fictício da porta e da janela recusam.
Võ, Danh
Danh Võ (Bà Ria, Vietname, 1975)We the people (detail), 2011- Nós, o povo (pormenor), 2011
- Cobre
- 202 x 300 x 80 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- A circulação de ideias e ideologias e o questionamento da autoria e da autenticidade são traços característicos da tão subtil quão eloquente obra de Danh Võ, onde a migração e a deslocação cultural são temáticas recorrentes. "We the people (detail)" [Nós, o povo (pormenor)] - cujo título cita as três primeiras palavras da Constituição dos Estados Unidos da América - faz parte de um projeto iniciado em 2010 em torno da Estátua da Liberdade. Impressionado com a fragilidade da superfície de cobre que reveste a estrutura de aço do monumento, Võ encomendou uma réplica, à escala 1:1, desse revestimento. O objetivo não era erigir uma nova estátua mas, apropriando-se de uma obra alheia, reconstruir os seus mais de 250 elementos individuais e dispersá-los por diferentes coleções de todo o mundo.Os fragmentos de Võ sublinham a natureza abstrata do simbolismo universal da estátua e convidam-nos a experienciar o famoso ícone numa escala mais humana e a refletir sobre o significado da liberdade a partir de múltiplas perspetivas.
Danh Võ (Bà Ria, Vietname, 1975)Fabulous Muscles, 2013- Caixa de cartão, folha de ouro, tinta. Caligrafia por Phung Vo
- 35 x 33.5 x 52 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- "Fabulous Muscles" [Fabulosos músculos] convoca as formas contemporâneas de produção e de circulação de bens. Naquilo que aparenta ser uma simples caixa de cartão da cerveja Budweiser - uma marca distribuída mundialmente -, o artista imprimiu o nome da marca em folha de ouro. Na verdade, a oficina que imprimiu a caixa está sediada na Tailândia. O texto caligráfico foi escrito pelo pai de Danh Võ, Phung Võ, e reproduz um excerto de uma música incluída no álbum Fabulous Muscles do grupo norte-americano Xiu Xiu. Fazendo lembrar, do ponto de vista formal, as famosas caixas Brillo de Andy Warhol, a obra alude à história da arte, à deslocalização e à precariedade que marcam as condições laborais dos nossos dias através de referências estritamente pessoais.Conceitos como legitimação e autenticidade, circulação de ideias e ideologias e o questionamento da autoria são traços característicos dos trabalhos de Võ. Frequentemente composta de documentos, fotografias, objetos encontrados e apropriação do trabalho de outros artistas, a sua obra propõe um cruzamento eloquente entre experiência privada e história coletiva.
!VON CALHAU!
Avesso, 2011- Filme 16mm transferido para vídeo, cor, som, 19'15''
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Trabalho desenvolvido no âmbito da edição de 2011 do Projeto Sonae|Serralves. Aquisição em 2012
- Os !Von Calhau! são uma dupla de artistas constituída por Marta Baptista e João Alves. Baptista e Alves fazem música, apresentam performances em espaços galerísticos e concebem e realizam filmes mudos de 16 mm, que frequentemente associam a música tocada por si ao vivo. Os seus filmes narram histórias esotéricas e paranormais, relacionadas com psicadelismo, ocultismo e misticismo. Em "Avesso", os artistas apresentam-se enquanto profissionais do mal feito, vestidos com fatos de padrões animais, sublinhando na arte a energia do amadorístico, do deliberadamente improvisado, - e esta preocupação com a libertação de energia, traduz-se bem no seu interesse por vulcões, ou por explosões em pedreiras. Neste filme, os !Von Calhau! confrontam-nos com ações melodramáticas, delírios, transes, expressões de esoterismo. Para esta dupla, o realismo é enfadonho.
Vonna-Michell, Tris
A Watermark: Capitol Complex, 2015- Dupla instalação de diapositivos, 35mm, sincronizada com composição musical e excerto falado
- Dimensões variáveis
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2016
- Através da combinação de imagens fotográficas, filme e bandas sonoras, Tris Vonna-Michell (Essex, RU, 1982) liga informações históricas, observação social e histórias pessoais. As narrativas emaranhadas destes trabalhos alternam entre factos e ficções, confrontando-nos com situações complexas - com que um narrador também se debate. A densa acumulação de material visual é animada por intensos monólogos impulsionados pela voz característica do artista. Influenciadas por escritores experimentais como Allen Ginsberg, as composições de "spoken word" de Vonna Michell estão repletas de desvios, repetições e becos-sem-saída que resultam em tortuosas cadeias de associações. Os seus enredos são frequentemente interconectados e recontados, e referem-se constantemente à sua própria produção artística. Imagens do seu arquivo pessoal, incluindo aquelas de trabalhos anteriores, reaparecem em novas configurações. Consciente do impacto do contexto da galeria em cada instalação, o artista reposiciona em cada nova apresentação a acumulação de documentos relativos a performances, fotografias e gravações áudio. A tecnologia analógica presente nestes trabalhos é mais um factor que concorre para a sua instabilidade temporal. "A Watermark: Capitol Complex" [Uma marca de água: Complexo do Capitólio], uma instalação composta por uma dupla projeção de diapositivos sincronizada com uma composição musical e um trecho falado, parte da história da construção, numa India recém-independente, de dois projetos do famoso arquiteto Le Corbusier: a cidade de Chandigarth e o seu Complexo do Capitólio. Na sua monumentalidade, eles deveriam representar exemplarmente o sonho de uma Índia moderna e os valores da democracia, mas acabaram por simbolizar a burocracia e o falhanço das utopias modernistas.A locução apresenta o personagem principal, Traveller [Viajante], cujos passeios noturnos pela cidade se vão tornando cada vez mais confusos e fonte de ansiedade à medida que ele se confronta com o facto de estar preso numa topografia desorientadora. A ampliar esta sensação de instabilidade pode ver-se um antiquado aparelho telex praticamente ao nível do chão e uma mesa inclinada onde estão dispostas fotografias e páginas de um guião em quatro atos escrito pelo artista. Nos trabalhos complexos e multifacetados de Tris Vonna-Michell as noções de tempo e de espaço tornam-se instáveis. No processo de tentar criar um sentido a partir de narrativas fragmentadas, é-nos solicitado que prestemos atenção à própria natureza da coincidência e da contingência, e à maleabilidade das imagens e da linguagem. A integração em 2016 de "A Watermark: Capitol Complex" na Coleção de Serralves veio reforçar o interesse do Museu em narrativas sobre a história e a cultura, a identidade e a representação, a verdade e a ficção - em particular histórias que permitam novas leituras do modernismo. Ao mesmo tempo, marcou o início da relação de Serralves com Tris Vonna-Michell e refletiu a importância atribuída por Serralves ao acompanhamento do trabalho de jovens artistas, neste caso com uma assinalável projeção internacional expressa na nomeação para os prémios Hugo Boss (2008) e Turner (2014).
Vostell, Wolf
Wolf Vostell (Leverkusen, Alemanha, 1932 - Berlim, Alemanha, 1998)Erdbeeren, s.d.- Morangos, s.d.
- Folha de chumbo recortada agrafada a fotografia p/b emoldurada em caixilho de aglomerado pintado montada em caixa de chumbo
- 56.5 x 79.8 x 12.5 cm
- Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- "Erdbeeren" [Morangos] tem origem numa das ações de rua que Wolf Wostell realizou a partir de 1958 de modo a quebrar as barreiras entre arte e vida. O happening consistiu num autocarro a circular pelas ruas de Berlim durante três dias. O veículo encontrava-se totalmente forrado a chumbo e a comunicação com a rua era possibilitada apenas por monitores televisivos, afixados às laterais, que transmitiam em direto o que estava no interior: uma plantação de morangos que procurava vingar num ambiente sem luz natural nem circulação de ar. Na rua, os berlinenses eram entrevistados por Vostell sobre o que lhes agradava na cidade." Erdbeeren" é uma metáfora da vida berlinense daqueles anos, condicionada, isolada e atravessada por um muro que era a manifestação mais visível da cortina de ferro político-ideológica que separou o Ocidente do Leste europeu desde o pós-guerra até 1989.
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