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Machado, João
João Machado (Coimbra, Portugal, 1942)Sem título, 1970- Tinta sintética sobre madeira
- 149.2 x 191 x 60 cm
- Col. Museu Nacional de Soares dos Reis, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- João Machado viria a tornar-se um importante designer, responsável pela renovação do contexto das artes gráficas em Portugal. É por isso curioso que as suas esculturas sejam hoje lidas retrospetivamente à luz dos seus projetos no campo do grafismo, com caraterísticas destes trabalhos a servirem para definir as suas preocupações enquanto escultor, nomeadamente a estilização das formas e a utilização de cores muito vivas.
João Machado (Coimbra, Portugal, 1942)Sem título, 1970- Esmalte sintético sobre madeira
- 76 x 76.5 x 55 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Doação do artista em 1989
- Esta obra de João Machado exemplifica as suas explorações no campo da escultura abstrata. A literalidade técnica e material da construção, aliada a uma simplificação formal, reforça uma ligação aos materiais industriais e à produção em massa, enquanto a inclusão de formas ondulantes na composição dilui a frieza geométrica e introduz uma ideia de movimento.Apesar da sua formação em belas-artes, é na área do design gráfico que João Machado irá centrar e desenvolver a sua atividade, determinante para a afirmação do design português. Na verdade, é através das características dos seus projetos gráficos que podemos perspetivar a sua prática escultórica, claramente filiada na arte pop pelo uso de um cromatismo muito vivo e contrastante e pela estilização das formas.
Madani, Tala
Flashlight in Mouth, 2013- Lanterna na boca, 2013
- Óleo sobre tela
- 40.7 x 35.6 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- "Flashlight in Mouth" [Lanterna na boca] faz parte de uma série de pequenas telas de Tala Madani sobre o tema da luz e da escuridão. Aqui, a luz assume a forma literal de uma lanterna encostada à boca de um homem e funciona como uma fonte de projeção, um microfone que simultaneamente amplifica e abafa o discurso. O tema está em tensão lúdica com as qualidades formais da pintura e as suas modulações, de luminescência a opacidade aveludada e de ilustração iluminada a abstração muda.A obra de Madani inspira-se numa tradição que combina os floreados gráficos e a versatilidade da caligrafia persa e a pintura tradicional dos cafés do seu Irão natal, o realismo social e a abstração americana do pós-guerra. Tal como Paula Rego, que Madani referiu como uma influência, também ela recorre à sátira e ao humor negro. Cenas de infância ligadas à experimentação sexual e escatológica ou representações grotescas de homens adultos implicados em situações violentas e incompreensíveis são frequentes no seu trabalho. As suas pinturas são uma irresistível paródia às formas como a representação é direcionada e enquadrada, adotando o absurdo como a fachada perfeita para um conteúdo que resiste à censura e à traição através de processos pictóricos e narrativos.
Maillol, Aristide
Aristide Maillol (Banyuls-sur-Mer, França, 1861 - Banyuls-sur-Mer, França, 1944)La baigneuse drapée (La Seine), 1921- A Banhista drapejada (O Sena), 1921
- Bronze, patine verde escura. P.A.
- 179 x 69 x 45 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Doado em memória de Georgina Illing em 2011
- Artistide Maillol é conhecido pelas suas esculturas de inspiração clássica de mulheres nuas. "La Baigneuse drapée (La Seine)" [A Banhista drapejada (O Sena)] é um exemplo das obras pelas quais Maillol é mais conhecido, em que a imagem de uma banhista representa o ideal de beleza mediterrânico. A data da escultura torna-a contemporânea da Casa de Serralves e Maillol conheceu e colaborou com Jacques-Émile Ruhlmann (1879-1933), o arquiteto e decorador francês que desempenhou um papel decisivo no programa arquitetónico e decorativo da Casa, embora não se saiba se o próprio Maillol tinha conhecimento da existência de Serralves. Esta obra foi doada à Fundação Serralves em 2011 por Robert Illing, ex-cônsul dos Estados Unidos da América no Porto, em homenagem à sua mulher, Georgina Illing, que foi uma grande entusiasta das artes e do projeto Serralves.
Mangelos, Dimitrije Basicevic
Skica za manifest o kicu, 1977 - 1978- Sketch para o manifesto kitsch, 1977 - 1978
- Folha de ouro e tinta acrílica sobre plástico, metal
- 38 x Ø 26 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2006
- Utilizados como dispositivos para os seus manifestos, os globos terrestres foram regularmente usados por Mangelos na sua obra para resumir, muito esquematicamente, as suas ideias. "Skica za Manifest o Kicu" é uma análise crítica do kitsch, considerando-o "um instrumento para negar o valor de experimentar um outro tipo de beleza", como está escrito no trabalho. A prática artística do historiador e crítico de arte Dimitrije Ba?icevic, que adotou o pseudónimo Mangelos, desenvolveu-se na fronteira entre a palavra e a pintura. O artista adotou as regras da linguagem para contornar a irracionalidade da arte, numa estratégia que denominou "no-art" (não-arte), e a sua obra centra-se em temas oriundos da filosofia, da arte e da civilização.
Martins, Jorge
Itinerário erótico, 1971- Óleo sobre tela
- 129 x 160.2 cm
- Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- "Itinerário erótico" assinala a consolidação de um apurado grau de estilização na obra de Jorge Martins, resultado em parte do estudo, desde 1963, das teorias seiscentistas da cor e da luz dedicadas à minuciosa descrição pictórica das coisas. Do ambiente azul e cinzento desta pintura sobressaem, como que iluminados, os diversos elementos que compõem uma cena da vida íntima, um corpo deitado ao fim da noite. A organização dos objetos e a cenografia do espaço dão a esta pintura um caráter narrativo, mas não há nenhuma história para ser apreendida, apenas a intenção de promover uma visão dinâmica e ativa, oposta ao olhar contemplativo que, por exemplo, a arte abstrata exige. O colorido da representação não apaga a frieza geral da cena. Os objetos, na perfeição sintética das suas formas, parecem artificiais, esvaziados ou espectrais como a cadeira desenhada apenas nos seus contornos exteriores sugere.
Marwan
Marwan (Damasco, Síria, 1934 - Berlim, Alemanha, 2016)Situation, 1966- Situação, 1966
- Óleo sobre tela
- 162.2 x 130 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2015
- "Situation" revela uma prática profundamente individualista: uma figura isolada, de pé numa espécie de não-lugar, parece aguardar o desenrolar de uma ação, aprisionada num estado fragmentado da existência. A obra faz parte de um importante conjunto de pinturas realizadas pelo artista de noite, enquanto de dia trabalhava numa oficina de peleiro. "Situation" lê-se como um autorretrato psicológico, que revela a condição de exílio e o isolamento do artista e o impacto pessoal dos conflitos políticos e sociais (sobretudo a guerra israelo-árabe de 1973) que abalaram o mundo árabe na segunda metade século XX.
McBride, Rita
Parallel Lines, 2008- Linhas paralelas, 2008
- Aço 8 mm. Ed. única
- 188 x 92 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2011
- O trabalho de Rita McBride explora a produção do espaço público e a receção da cultura. As suas esculturas recriam elementos do nosso quotidiano. Dramatizando objetos relacionados com o design e com a arquitetura, atribuindo-lhes dimensões inesperadas, McBride destabiliza noções adquiridas de forma, função e material, ao mesmo tempo que interroga os mitos do progresso induzidas pela ideologia moderna ? industrialização, processos de produção em massa e leis de eficiência.
Timeley Circles, 2008- Aço 8 mm. Ed. única
- 113.5 x 180 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2011
- O trabalho de Rita McBride explora a produção do espaço público e a receção da cultura. As suas esculturas recriam elementos do nosso quotidiano. Dramatizando objetos relacionados com o design e com a arquitetura, atribuindo-lhes dimensões inesperadas, McBride destabiliza noções adquiridas de forma, função e material, ao mesmo tempo que interroga os mitos do progresso induzidas pela ideologia moderna ? industrialização, processos de produção em massa e leis de eficiência.
McCall, Anthony
Anthony McCall (St Paul's Cray, Reino Unido, 1946)Circulation Figures, 1972 - 2011- Figuras em circulação, 1972 - 2011
- Filme 16 mm transferido para vídeo (p/b e cor, 35’42’’, loop), 2 espelhos, jornais, fotocópias p/b e cor. Ed. 1/3
- Dimensões variáveis
- © Anthony McCall. Aquisição conjunta pela Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto e pelo Whitney Museum of American Art, Nova Iorque, com fundos do Film, Video, and New Media Committee em 2013
- Quase quarenta anos separam o evento encenado em "Circulation Figures" [Exemplares em circulação] (1972/2011), de Anthony McCall, da sua conclusão como obra de arte ? décadas ao longo das quais as próprias noções de comunicação social de massas e privacidade, centrais na obra, alteraram profundamente a vida quotidiana. Para o evento original, em 1972, o artista convidou quinze fotógrafos e cineastas "a reunirem-se num espaço previamente preparado a fim de registarem a sua própria presença". McCall dispusera no espaço ? um estúdio na London Polytechnic Film School ? dois grandes espelhos virados um para o outro e cobrira o chão com páginas arrancadas de jornais e revistas. A cada participante foi dito que "os temas do evento e da sua câmara são os outros fotógrafos e cineastas" e que, portanto, teriam de se filmar uns aos outros a circularem pelo espaço. McCall tencionava montar o material resultante num filme e criar um ambiente de instalação que evocasse o espaço original para o exibir. No entanto, o plano ficou na gaveta durante décadas devido tanto à "falta de meios técnicos para apresentar tempo contínuo", como à mudança de direção no próprio trabalho do artista, que se virou para as instalações de luz projetada pelas quais é conhecido. "Por essa razão", explica McCall, "completar "Circulation Figures" em 2011 exigiu algum tempo a viajar para trás e para a frente: os meus princípios estruturais ter-me-iam sido inteiramente familiares nos anos 1970, mas na montagem do material filmado e no planeamento do resultado final tirei o máximo partido da tecnologia digital".Para a exposição "Off the Wall", apresentada em Serralves em 2011, McCall revisitou o material filmado e as imagens fixas do efémero evento performativo realizado décadas antes e criou um filme de trinta e cinco minutos. Este foi projetado num ecrã suspenso numa sala definida por duas paredes de espelho, com um coeficiente de ampliação de imagem de 4:3, correspondente ao formato padrão na televisão e no cinema. Como os espelhos são paralelos, fazem com que as imagens "se repitam numa regressão infinita". O resultado é um meio em que o observador, rodeado por imagens refratadas e pelos seus próprios reflexos, se torna parte da obra.
McKenzie, Lucy
Lucy McKenzie (Glasgow, Reino Unido, 1977)Alhambra Motifs I, 2013- Motivos da Alhambra I, 2013
- Óleo sobre tela
- 340 x 360 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2014
- "Alhambra Motifs I" [Motivos da Alhambra I] é uma pintura pertencente a um grupo de três, em que Lucy McKenzie expande o seu repertório compositivo mais além das tradições europeias, estendendo-o às geometrias da decoração e da arquitetura islâmica. A visita de McKenzie no Sul de Espanha ao antigo palácio mouro - de onde "Alhambra Motifs I" extrai o título - foi inspirada pela leitura dos livros de Owen Jones, arquiteto do século XIX, e pelo interesse de sempre da artista em perceber como se traduzem as formas orientalistas do neo-gótico num vernáculo decorativo, perpetuado nos dias de hoje em fachadas e interiores de pequenos negócios em Bruxelas, cidade onde vive. Além disso, o seu interesse nestes motivos é também um confronto com a insistência modernista na eliminação da decoração, cujo melhor exemplo talvez se encontre no influente texto de Adolf Loos "Ornamento e crime", de 1910. McKenzie descreveu o material de origem do programa decorativo do Palácio de Alhambra como sendo parte de um património cultural da humanidade, reconhecido como exemplar através do seu estatuto protegido pela UNESCO, e como aquele em que a política de género, e particularmente o lugar da mulher, estão mais profundamente entranhados nas suas estruturas. As artes e ofícios e a história social e cultural do design há muito que enformam a abordagem de Lucy McKenzie à pintura. As suas telas são propostas conceptuais que aludem a géneros de representação historicamente ligados em que as "artes eruditas", geralmente associadas a um autor cujo nome é mencionado, se cruzam com processos coletivos anónimos, como a pintura mural e a decoração trompe l’?il. O interesse de McKenzie nas chamadas "artes menores" dos ofícios e da decoração pode também ser entendido como uma resposta às hierarquias de género, de cultura e sociais que estão implícitas nas tradições visuais que nos rodeiam.
Meireles, Cildo
Cildo Meireles (Rio de Janeiro, Brasil, 1948)Mutações Geográficas: Fronteira Rio - São Paulo, 1969- Couro, terra
- 41.4 x 42 x 42 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2003
- "Mutações Geográficas: Fronteira Rio - São Paulo" é o registo de uma ação realizada por Cildo Meireles no segundo semestre de 1969 na região fronteiriça entre Paraty e Cunha, dois municípios brasileiros contíguos mas pertencentes a entidades administrativas distintas, respetivamente os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. A ação consistiu em escavar dois buracos, um de cada lado da fronteira; de seguida, foram depositados em cada um deles terra, plantas e detritos retirados do buraco oposto; finalmente, toda a operação foi recriada dentro de uma caixa de couro. Isto incluiu dividir em duas metades o interior da caixa e colocar em cada uma delas uma amostra da terra recolhida em cada um dos estados limítrofes. Como, em pouco tempo, a terra húmida apodreceu o couro não curtido da caixa original, em novembro desse mesmo ano o artista substituiu-a pela caixa hoje existente. Com o seu aspeto de mala usada em expedições científicas, este objeto sugere uma leitura antropológica do território que evidencia o constrangimento psicológico e social imposto pelas demarcações geográficas e a natureza política da separação cartográfica de localidades que se tocam fisicamente.Numa contínua interpretação crítica do mundo, a obra de Cildo Meireles redefine a arte conceptual relacionando-a com a experiência sensorial e com o uso crítico de sistemas de circulação ideológicos e antropológicos. O seu trabalho recorre a uma pluralidade de meios e materiais para abordar amplas questões de caráter político, filosófico, estético e social, nomeadamente relações de poder, os espaços e modos de comunicação ou os legados da história e da história da arte.
Cildo Meireles (Rio de Janeiro, Brasil, 1948)Inserções em Circuitos Ideológicos - Projecto Coca-Cola, 1970- Vidro, metal, Coca-Cola (3 elementos)
- 24.5 x 20 x 5.8 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Doação do artista em 2000
- Exemplo da sua exploração dos meios de comunicação social e de objetos da sociedade de consumo, Cildo Meireles recorre aqui ao sistema de reciclagem das garrafas de Coca-Cola (em que as garrafas eram devolvidas vazias à multinacional para serem reenchidas e vendidas de novo) para nelas gravar mensagens subversivas. Ao serem recolhidas e novamente introduzidas no circuito de consumo, as garrafas tornam-se veículo de frases que expressam opiniões críticas, alusivas ao imperialismo americano e à ditadura brasileira, ou que questionam o sistema artístico e a sociedade de consumo.Numa contínua interpretação crítica do mundo, a obra de Cildo Meireles redefine a arte conceptual relacionando-a com a experiência sensorial e com o uso crítico de sistemas de circulação ideológicos e antropológicos. O seu trabalho recorre a uma pluralidade de meios e materiais para abordar amplas questões de caráter político, filosófico, estético e social, nomeadamente relações de poder, os espaços e modos de comunicação ou os legados da história e da história da arte.
Cildo Meireles (Rio de Janeiro, Brasil, 1948)Pertubarão!, 2014- Resina de poliéster e tinta acrílica sobre fibra de vidro, aço inox. Ed. 1/3
- Dimensões variáveis
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Doação de Paulo Pimenta e do artista em 2015
- Como acontece frequentemente, o título da obra mais recente de Cildo Meireles - "Pertubarão!" - tem origem num jogo de palavras que combina as palavras "perturbação" e "tubarão". O trabalho é composto por três elementos com a forma de barbatanas, que representam uma família de tubarões instalada num relvado que se substitui ao mar. O espectador, que é sempre um fator determinante na construção de sentido nas obras de Meireles, é confrontado com uma situação surreal resultante do simples gesto de deslocação de elementos visuais associados a um animal selvagem e perigoso para um ambiente paisagístico de recreação e conforto humanos. Construída a partir de uma crítica política e social, a obra de Cildo Meireles tomou forma durante o período da ditadura militar brasileira, numa atmosfera de medo e censura, que dominou a sociedade brasileira a partir de meados da década de 1960. Caracterizada por um forte pendor conceptual com raízes no neocroncretismo brasileiro dos finais dos anos 1950 e no questionamento da arte levado a cabo na obra de Marcel Duchamp e Piero Manzoni, o trabalho de Cildo Meireles cruza intervenções na paisagem e no espaço público com o desenho, a escultura e a instalação. As suas obras partem, com frequência, da apropriação de objetos quotidianos que são transformados para ganharem novos significados e propõem um envolvimento espacial que proporciona ao espectador uma experiência sensorial expandida.
Mendes, Albuquerque
Catálogo, 1998- Tinta acrílica e colagem sobre tela, moldura de madeira
- 31 x 36.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2006
- A colagem, combinada com a pintura, é um dos meios preferidos de Albuquerque Mendes para experimentar com os significados implícitos das imagens. Em "Catálogo", o artista utiliza recortes de uma revista norte-americana dos anos 1950 dedicada ao crime e uma brochura dos anos 1980 dos portuenses Armazéns Marques Soares. Enquadradas por uma arquitetura urbana desolada e articuladas em conjunto, as figuras apresentadas transmitem mensagens diferentes das supostamente pretendidas nos seus suportes de origem: a bonomia do polícia suscita desconfiança e os modelos de pijama assemelham-se a suspeitos de crimes fotografados pelas autoridades. Um selo comemorativo português, colado na parte inferior da tela, alude à transmissão de ideias que a pintura promove entre o artista, seu autor, e o espectador. A moldura antiga, restaurada e pintada por Mendes, envolve a pintura e dá-lhe uma condição objetual. Albuquerque Mendes, artista ativo desde inícios da década de 1970, cruza a pintura, a performance, o happening e a instalação. A sua obra explora temas da cultura pop, tradições populares, formas e rituais religiosos, bem como as condições histórico-sociais de circulação, legitimação e receção da obra de arte. A sua pintura, que muitas vezes inclui colagens, reflete a apropriação e a citação de estilos e iconografia alheios que marcou a arte a partir dos anos 1980. Apropriando-se da maneira de pintores consagrados, como Picasso, Arnulf Rainer, Max Ernst ou Salvador Dalí, as suas pinturas exemplificam o evitar de um estilo próprio que definiu muita da arte produzida na altura. Na verdade, ao aplicar uma lógica de desconstrução pós-moderna, com reminiscências do neodadaísmo e de algum surrealismo, a sua obra é um mostruário de uma parte substancial da história e da história da arte do século XX.
Mendieta, Ana
Ana Mendieta (Havana, Cuba, 1948 - Nova Iorque, EUA, 1985)Selected Filmworks, 1972 - 1982- Filmes seleccionados, 1972 - 1982
- Vídeo, p/b e cor, sem som, 4:3, PAL, 33'
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- "Selected Filmworks" apresenta um conjunto de filmes ritualísticos e assombrados, onde a artista inscreve o seu próprio corpo na natureza recorrendo a uma iconografia formada por sangue, fogo, água e outros elementos naturais. Um exemplo paradigmático é a série "Siluetas" [Silhuetas], que parte de uma exploração da história e da memória através da transformação da terra em espaço sagrado, concebido por um vínculo físico e espiritual com o corpo.Ana Mendieta desenvolveu uma obra profundamente pessoal e experimental, influenciada quer pelos movimentos artísticos do seu tempo, quer pelos legados históricos e espirituais de culturas antigas. As suas performances baseiam-se em noções de identidade pessoal fundadas em conexões físicas e espirituais entre o corpo e o mundo natural, usando de forma incessante circunstâncias da sua biografia, que abrangem a experiência de deslocamento pessoal, cultural e político; a perda de conexão com o passado individual e coletivo; ou os laços com a espiritualidade da terra como crítica às ideologias religiosas, sociais e culturais falocêntricas.
Mendonça, Fátima
Parede de cobertores de lã, massas de bolo, bocas, 2004- Óleo e lápis de óleo sobre tela (tríptico)
- 280 x 660 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2008
- Fátima Mendonça elabora pinturas e desenhos de grande formato, de reconhecível teor narrativo. A sua pintura constrói-se a partir de referências de infância e de afirmação feminina, onde o enfrentamento conflitual com o mundo é vivido entre a sedução e a culpa, o desafio e o pesadelo. As suas obras são diários emocionais, de cunho confessional ou ficcionado. Em "Parede de cobertores de lã, massas de bolo e bocas", a superfície pictórica procura o equilíbrio entre a materialidade do traço e a repetibilidade obsessiva do motivo. Vista de perto a superfície visceral e ondulada afoga o espectador numa espécie de clausura sufocante, acentuada pela anotação "chiu" que impõe o silêncio.
Merz, Mario
Mario Merz (Milão, Itália, 1925 - Turim, Itália, 2003)Salamino, 1966- Salame, 1966
- Tecido, lâmpada de néon
- 254 x 90 x 70 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- "Salamino" (termo que em italiano designa um "pequeno salame") combina objetos do quotidiano com tubos de néon. Um cobertor de lã enrolado em forma de delgado travesseiro está pendurado na parede, perfurado por um fino tubo. Ao conjugar elementos simples e "naturais" com uma estrutura industrial produtora de luz e energia, Merz procurou estabelecer uma relação entre o orgânico e o inorgânico. Um objeto trivial do quotidiano sofre uma metamorfose de cor e forma graças à luz que dele emana. O tubo de néon adquire simultaneamente uma função destrutiva e transfiguradora.
Molder, Jorge
Jorge Molder (Lisboa, Portugal, 1947)Série Zizi, 2013- Impressão a jacto de tinta (5 elementos)
- 152 x 101 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- A série fotográfica "Zizi" (2013), de Jorge Molder (Lisboa, 1947) parece dispor cinco bandas de cor em superfícies lisas, abstratas e uniformes. A abstração e aparente suavidade das imagens resultantes, que passam por cinco faixas fulcrais do espectro de luz - violeta, azul, verde, amarelo e vermelho - são contrariadas por riscos que as perpassam e criam texturas que demonstram a relação entre cada fotografia e o mundo físico. Como é característico do trabalho do artista, o título tem um papel fundamental, fornecendo pistas para a sua identificação. Neste caso, a alusão felina e feminina do nome, sugestiva e potencialmente sedutora, contribui para tornar este trabalho, nas suas palavras, "uma pequena metáfora sobre a estranheza da sua sedução".
Jorge Molder (Lisboa, Portugal, 1947)Série "Call for Papers", 2013- Impressão a jacto de tinta (2 elementos)
- 152 x 101 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- A capacidade, ou a impossibilidade, da fotografia para registar os traços do mundo exterior, mesmo quando aparenta ser abstrata, é confirmada nesta série de trabalhos de Jorge Molder, composta por várias manchas numa superfície, em que se destaca aquilo que parece ser a marca circular de um copo e uma marca de um sapato. É o próprio artista quem afirma: "A esta série de imagens quase todos os nomes lhe calhavam. Traços, vestígios, indicações, imprecisões. Também se podia, curiosamente, chamar manifestações ou o seu contrário". Conhecido por trabalhar em séries, Molder confronta os espectadores com narrativas suspensas, sem início e sem desfecho, em que os títulos assumem um fundamental papel evocativo, quase como pistas numa novela policial. O seu trabalho revela um interesse quase obsessivo pela prática do autorretrato e da autorrepresentação.
Morris, Robert
Robert Morris (Kansas City, Missouri, EUA, 1931 - Kingston, New York, EUA, 2018)Sem título, 1969- Sem títuloVersão II em 19 partes, 1969
- Feltro (16 elementos)
- 257 x 257 x 50 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2001
- Entre 1967 e 1996, Robert Morris produziu diversas obras em que usou feltro industrial como material escultórico. Nestes trabalhos, o artista fez diversos recortes e incisões em grandes pedaços deste material grosso e pesado, organizando-os depois em pilhas, rolos ou amontoados dispersos pelo chão, ou suspendendo-os da parede, deixando o efeito da gravidade modelar as suas formas, num processo que tornava a realização da obra indiscernível da sua forma final. Em Sem título, os ganchos que sustentam as tiras de feltro cinza escuro estão fixados à parede a alturas diferentes, permitindo uma estruturação fluida e aparentemente casual da obra, que se adensa e complexifica à medida que tiras mais grossas se aproximam e finalmente tocam o chão, espalhando-se pelo espaço adjacente. A partir de inícios da década de 1980, estas obras começaram a ter formas mais predeterminadas, a integrar feltros de duas ou mais cores e a fazer referência a categorias da tradição escultórica, como o monumento. Por vezes, exploraram também formas anatómicas do corpo humano, consubtanciando o comentário de Morris que, em 1983, associa o feltro à pele, estabelecendo uma relação com o corpo ? uma constante ao longo do seu percurso artístico. As suas "Felt Pieces" [Peças de feltro] de finais dos anos 1960 e 1970 focavam-se sobretudo no comportamento do material quando caía no chão e nas formas variáveis, fruto do acaso, que assumiam de cada vez que eram instaladas. Esta dimensão acabou por se diluir à medida que os colecionadores destas obras começaram a querer montá-las com o mesmo aspeto que tinham nas primeiras fotografias que as mostravam, passando para tanto o artista a detalhar, em esquemas explicativos, o seu processo de montagem. Tendo iniciado a sua atividade artística em 1959, em 1962 Morris abandona a pintura herdeira do expressionismo abstrato que até então praticara para encetar uma colaboração com o grupo informal de bailarinos nova-iorquino Judson Dance Theater, que rejeitou o virtuosismo técnico do balé clássico e os movimentos corporais como expressão de sentimentos para lançar os fundamentos da dança contemporânea através da improvisação e da ênfase nos gestos de execução de tarefas quotidianas. Ao mesmo tempo, Morris realiza objetos marcados com impressões do seu próprio corpo e desenvolve esculturas onde a repetição e a serialidade seguem a pesquisa minimalista das formas e da sua organização no espaço. Os antecedentes diretos das "Peças de Feltro" são as "Rope Pieces" [Peças de cordas], um conjunto de esculturas realizadas entre 1963 e 1964 em que o elemento dominante é uma ou várias cordas cuja forma final depende da força da gravidade ou de estarem aleatoriamente emaranhadas umas nas outras. Mas foi só em 1967 que Morris recorreu ao feltro industrial, durante uma residência artística, no verão desse ano, com artistas como Roy Lichtenstein, Claes Oldenburg e a bailarina e coreógrafa Yvonne Rainer, no Aspen Institute, Colorado. De regresso ao seu estúdio em Nova Iorque, onde então vivia, deu continuidade a estas experiências. Morris estava sobretudo interessado em observar o modo como a gravidade destruía a linearidade formal dos cortes e incisões e a obra se abria, nas palavras da historiadora da arte Rosalind Krauss, à "desordem da ‘antiforma’ ". As "Felt Pieces" tiveram a sua primeira apresentação na Galeria Leo Castelli, em Nova Iorque, em 1968. Neste mesmo ano, Morris publicou na revista Artforum um dos seus mais importantes ensaios, "Anti Form", ilustrado com duas das suas "Felt Pieces" e obras de outros artistas, entre os quais Jackson Pollock. A relação das suas ideias sobre a "antiforma" com o expressionismo abstrato de Pollock não residia, a seu ver, na semelhança do método usado e no facto de este artista também estender as suas telas no chão para, debruçado sobre elas, deixar que a tinta pingasse do pincel para pontos aleatórios da superfície, sem que nela chegasse a tocar. A crítica modernista tinha visto nesta forma de pintar um meio de otimizar uma pintura puramente visual e desprovida de subjetividade, enquanto artistas pioneiros da performance, como Allan Kaprow, tinham valorizado o envolvimento de todo o corpo na realização destas obras. Para Morris, no entanto, este procedimento tinha implicações que se viriam a revelar determinantes na formulação das suas próprias ideias sobre a arte processual, abrindo caminho para ultrapassar a simples organização minimalista de formas no espaço, que lhe parecia redutora. É que, por esta via, os gestos que manipulavam os materiais e o comportamento que estes revelavam, devido às suas próprias propriedades físicas e à sua sujeição a ações e forças externas, eram, em si mesmos, a obra. Por outras palavras, o processo era a obra.O interesse de Morris na relação entre arte, corpo e gesto resulta da influência do expressionismo abstrato que caracteriza toda a sua obra (um dos mais importantes exemplos do minimalismo e do pós-minimalismo), expandindo-a à Land Art e à arte processual, onde o objeto final é valorizado pelo processo e o espectador é levado a novas formas de experiência e contacto com a obra.
Morton, Ree
Ree Morton (Ossining, EUA, 1936 - Chicago, EUA, 1977)Souvenir Piece, 1973- Lembrança, 1973
- Tinta acrílica sobre tela montada sobre madeira, madeira, tinta acrílica, pedras
- 244 x 460 x 278 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- A instalação "Souvenir Piece" é um memento do verão de 1973, que a artista passou com os filhos perto da costa da Terra Nova, no Canadá. Compõem-na dois núcleos de objetos: pedaços de madeira, troncos e pedras que Ree Morton terá recolhido durante as férias na Terra Nova, pousados sobre uma "mesa" de tampo verde, sustentado por estacas de madeira; e seis pequenas pinturas onde vemos representações esquemáticas dos elementos colocados sobre a mesa. A disposição vertical destes evoca as estelas de antigas civilizações, o que sugere a leitura da instalação como modelo de um lugar ancestral destinado à celebração de rituais sagrados. "Souvenir Piece" é exemplar do cruzamento entre uma experiência pessoal datada e uma morfologia universal e intemporal.Não obstante o seu curto percurso artístico, Ree Morton é considerada uma pioneira do pós-minimalismo norte-americano dos anos 1970, em particular no âmbito da história da instalação.
Moth, Charlotte
Charlotte Moth (Carshalton, Reino Unido, 1978)Study for a 16mm film, 2011- Estudo para filme de 16 mm, 2011
- Filme 16mm transferido para vídeo, cor, sem som, 11'28''. Ed. 1/5 + 1
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Trabalho desenvolvido no âmbito da edição de 2011 do Projeto Sonae|Serralves. Aquisição em 2012
- A prática artística de Charlotte Moth tem uma base subtilmente escultórica. Fotografias, filmes, objetos e instalações funcionam como uma espécie de estrutura ou representação do ato de ver, com todo o movimento e toda a imobilidade, toda a representação do tempo e do espaço que isso sugere.Este filme recorda as fantasias modernistas de cores puras e formas sinuosas, de que são exemplo os filmes de Hans Richter, ou de Fernand Léger. Como nestes filmes abstratos dos anos 1920, Moth regista as transformações de formas visuais através do movimento e da iluminação, criando uma "sinfonia visual".
Muntadas, Antoni
Acciones, 1972- Acções, 1972
- Vídeo, p/b, som, 4:3, PAL, 15'
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- Após abandonar a pintura em 1971, Antoni Muntadas desenvolveu diversas experiências sobre a perceção e o reconhecimento, a que chamou "experiências sensoriais". Abordando as formas e os modos sensoriais do corpo humano, "Acciones" consiste numa série de atos em que o artista explora os "sentidos menores" (como o olfato, o tato ou o paladar), decompondo gestos triviais e momentâneos em tópicos que anunciam as ações numa falsa sequência e que enfatizam uma procura do prazer e do exercício da sensibilidade.Pioneiro da arte conceptual, Antoni Muntadas questionou de forma continuada a instrumentalização dos círculos ideológicos do poder, numa obra que explora as dicotomias entre público e privado, subjetivo e objetivo, o padrão e o específico, ancorada em investigações sobre a complexidade da tradução, os arquétipos da paisagem mediática ou as estruturas e códigos de controlo relacionados com as políticas do universo da arte.
Intervenções: A propósito do público e do privado, 1992- Metal, fotografia p/b (21 elementos)
- Dimensões variáveis
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- "Intervenções: A propósito do público e do privado" é um projeto de Antoni Muntadas especificamente concebido e produzido para a Casa de Serralves em 1992. Constituído por 21 elementos em latão, cada um contendo a designação do correspondente espaço na Casa quando habitada e a fotografia da época (quando existente), o projeto representa uma das plataformas de pesquisa de eleição do artista.Sobre este seu projeto, escreve Muntadas na publicação editada por Serralves em 1992:(...) O projeto centra-se na observação e reflexão sobre o "privado" e o "público", as suas respetivas funções e o modo como um lugar privado se converte em lugar público e vice-versa. (...)É-me fácil perceber que muitas vezes o uso e a distribuição do espaço na esfera do "público" recriam a organização hierárquica do "privado". O "público" e o "privado" partilham estruturas de organização, poder e tomada de decisão aparentemente similares.A memória do "privado" a partir da identificação de lugares ou espaços através de designações (textos/imagens) deverá constituir o ponto de partida para a reflexão sobre o uso e o consumo do "privado" e do "público" encarados numa perspetiva cultural (uma vez assumidas as perspetivas política e social).Nascido em Barcelona em 1942, Antoni Muntadas vive em Nova Iorque desde 1971. A sua obra é construída a partir de uma reflexão crítica sobre a sociedade, a política e a comunicação no mundo contemporâneo. São exemplos desta reflexão as intervenções em espaços públicos e privados e os projetos de investigação multidisciplinares associados a um intenso estudo sobre os meios de comunicação e informação e o modo como estes são utilizados para censurar e divulgar ideias. Muntadas recorre a múltiplos meios e formatos para a apresentação das suas obras, entre os quais a fotografia, o vídeo, a instalação, materiais impressos e a Internet.
Musa Paradisiaca
Ecstasy and Eden, 2014- Com António PopeFilme 16mm transferido para HD, som, cor, 8'10''. ED 1/3 + 2 AP
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2016
- "Ectasy & Eden" (2014) narra um momento simbiótico que unifica o mundo vegetal e o mundo mecânico. O duo "Musa paradisíaca" classifica este como um momento energético que deveria permitir repensar a relação entre o homem e a natureza. A banda sonora do filme é totalmente composta por sons incompreensíveis numa tentativa de criar uma linguagem mecânica. Operando como uma extensão do corpo humano, esta linguagem é produzida como um ato de ventriloquismo, na medida em que dá vida a personagens inertes ? quer máquinas quer plantas. "Musa paradisíaca" é um projeto artístico criado em 2010 por Eduardo Guerra (Lisboa, 1986) e Miguel Ferrão (Lisboa, 1986). Produzindo esculturas, performances e filmes, o projeto centra-se em pensar e apresentar modelos de conhecimento alternativos, modos de pensamento mágico composto por mitos, histórias e sistemas de crença vernaculares.
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